EFEITO DA VARIAÇÃO DA UMIDADE PÓS-COMPACTAÇÃO NO COMPORTAMENTO RESILIENTE DE UM SOLO LATERÍTICO ARGILOSO EMPREGADO EM SUBLEITO
Resumo
Mudanças climáticas têm intensificado a ocorrência de eventos extremos, como chuvas intensas e longos períodos de estiagem, aumentando a vulnerabilidade das infraestruturas rodoviárias. Um dos agravantes desses eventos é a variação do teor de umidade nas camadas de suporte dos pavimentos, especialmente no subleito, influenciando diretamente seu desempenho mecânico. Neste contexto, o presente estudo avaliou o comportamento resiliente de um solo empregado como subleito rodoviário, submetido a ciclos sucessivos de secagem e umedecimento, com teores de umidade variando de -2% a +2% em relação à umidade ótima de compactação, visando simular as condições nas quais poderá estar sujeito em campo. Quatro condições diferentes foram avaliadas com o ensaio de módulo de resiliência, com três ciclos distintos em cada. Os resultados mostraram que amostras que inicialmente passaram pela secagem, quando posteriormente umedecidas, apresentaram reduções significativas no módulo de resiliência, atribuídas ao surgimento de fissuras e microtrincas, que, uma vez saturadas, comprometeram a rigidez estrutural. Por outro lado, amostras que foram inicialmente submetidas ao umedecimento, apresentaram rigidez inferior nas fases iniciais, mas mostraram recuperação gradual do módulo de resiliência ao longo dos ciclos de secagem, aproximando-se dos valores observados em condições ótimas. Os resultados obtidos reforçam a importância de considerar possíveis variações de umidade e alteração do comportamento do material na fase de projeto do pavimento, em especial em regiões com históricos ou possibilidades de alagamentos.