ANÁLISE GLOBAL DA COMPARAÇÃO DO USO DE ÓLEO VEGETAL NOVO E RESIDUAL EM ALTAS DOSAGENS COMO ADITIVO PARA ASFALTO-BORRACHA
Resumo
Óleos vegetais têm sido incorporados à pavimentação asfáltica como alternativa para mitigar os impactos ambientais do setor, especialmente quando utilizados em ligantes modificados com borracha de pneus inservíveis. Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo avaliar comparativamente o desempenho reológico e empírico de ligantes contendo 21% de borracha moída, modificados com óleo vegetal de milho, em condição nova e residual, nas proporções de 10%, 15% e 20%. Foram conduzidos ensaios de viscosidade rotacional, cisalhamento dinâmico (DSR), flexão em viga (BBR), ponto de amolecimento, ponto de fulgor e perda de massa, considerando diferentes estados de envelhecimento dos ligantes. Os resultados demonstraram que a adição de óleo vegetal proporcionou significativa redução da viscosidade, permitindo o enquadramento dos ligantes nos limites do asfalto AB8 (800 a 2000 cP). A dosagem de 10% de óleo apresentou a melhor relação entre trabalhabilidade e desempenho mecânico, com redução de até 64% na viscosidade, enquanto teores mais elevados (20%) comprometeram as propriedades térmicas e reológicas dos ligantes. Adicionalmente, observou-se que o aumento do teor de óleo levou à redução do ponto de amolecimento e da resistência a deformações permanentes. Não foram identificadas diferenças expressivas entre os óleos novos e residuais, o que reforça a flexibilidade de uso e a viabilidade de aplicação em larga escala. Em síntese, a combinação de borracha com óleo vegetal, especialmente na dosagem de 10%, mostrou-se eficaz na melhora da trabalhabilidade dos ligantes e na possível viabilização de temperaturas mais baixas de usinagem e compactação, contribuindo para a redução do consumo energético e das emissões na pavimentação asfáltica.