COMPORTAMENTO DE MISTURAS DE SOLO-CIMENTO: UMA REVISÃO DE ENSAIOS LABORATORIAIS APLICADOS A PAVIMENTOS
Resumo
Este artigo apresenta uma revisão técnico-científica sobre o comportamento de misturas de solo-cimento aplicadas em camadas de pavimentos rodoviários. A pesquisa foi conduzida com base em normas brasileiras e internacionais, além da análise de artigos técnicos, teses, dissertações e relatórios institucionais. Foram abordados aspectos como caracterização dos solos, metodologias de dosagem, parâmetros mecânicos obtidos em ensaios laboratoriais e critérios normativos adotados no Brasil por órgãos como o DNIT, DERs estaduais e ABNT. As normativas recomendam o uso de solos com comportamento mais granular, limitando o teor de finos e os índices de plasticidade. Para misturas de solo melhorado com cimento, os teores recomendados variam entre 2% e 4%, enquanto para solo-cimento, situam-se entre 5% e 10%. O principal critério de desempenho é a resistência à compressão simples, sendo exigido valor mínimo de 2,1 MPa para aplicação em camadas de base. Os resultados mostraram que a resistência cresce com o aumento do teor de cimento, sendo esse ensaio o mais adotado devido à simplicidade e confiabilidade. Em relação ao módulo de resiliência, os valores médios observados estão entre 5.000 e 10.000 MPa, faixa considerada usual pelas especificações, como a IP-DE-P00/001 do DER/SP. Também foi realizada uma compilação de modelos empíricos da literatura, os quais indicam que, para misturas cimentadas, o módulo de resiliência tende a ser constante, independentemente do estado de tensões aplicado. Conclui-se que o solo-cimento continua sendo uma alternativa viável técnica e economicamente para obras rodoviárias, especialmente em regiões com escassez de materiais britados, contribuindo ainda para a redução de impactos ambientais associados à extração de agregados naturais.